domingo, 26 de outubro de 2014

DIA 25 DE OUTUBRO NO COLÉGIO VISÃO UNIDADE CAMPINAS - SÃO JOSÉ/SC

Hoje, pela manhã, fui ao Colégio  a pedido de D. Catarina, para narrar a história da D. Baratinha. todos os anos, sempre no mês de novembro as professores organizam uma feira temática, voltada à ciência, à arte e à cultura.


Me deliciei com tudo o que vi, experimentei,ouvi, ganhei e aproveitei para conversar com os alunos na faixa etária de 9 a 10 anos. Todo com ótimo vocabulário e desenvoltura, cheios de interesses em falar sobre os seus conteúdos em exposição, como também fazer perguntas sobre as perguntas que fiz a eles. 

Eu com minha mania de voltar ao passado, nas bancas de cultura, por exemplo,  ao ver sobre a mesa um panelão de barro cheio de feijoada e à sua volta três tipos de farofas feitas de farinha de mandiocas, (todas temperadas com cheiro verde, pimenta do reino e outros ingredientes) e outros quitutes, parei diante do grupo de alunas que falavam sobre a culinária africana. Cada uma tinha uma pequena folha de caderno contendo informações sobre o que estavam expondo. Elas liam seguindo a ordem do tema. 

Ao começar a questioná-las, percebi que todas tinham memorizado as suas falas, mas que preferiam ler para uma não repetir a fala da outra. Ao se envolver com as minhas perguntas, as meninas se soltaram e juntamente com os que estavam juntos de nós, ficaram a ouvir o que falei sobre a culinária africana - o modo de preparo e do surgimento da feijoada.

Quando as africanas foram arrancadas de suas famílias, seus lugares... Ao serem transformadas em escravas dos senhores feudais, as que eram responsáveis pela cozinha das casas grandes, preparavam deliciosos pratos com carne de porco e de boi. Como os senhores das fazendas comiam somente as carnes nobres desses animais, as escravas aproveitam as orelhas, os pés e os rabos dos porcos para cozinhar juntos ao feijão que era servido aos escravos nas senzalas. Daí surgiu a famosa feijoada e com o passar dos tempos, também começou a ser degustada pelas classes mais abastardas.  Foi então que todo no Brasil passaram a comer feijoada.

As alunas começaram a me fazer perguntas e enquanto eu falava elas me serviam a feijoada em copinhos de plástico. Aproveitei para falar que, enquanto os donos das fazendas e seu familiares comiam em pratos de porcelana, os negros comiam em pratos de barro.

Na mesa de ciências havia três alunos, três graças de meninos que falavam sem a ajuda de registros em folhas. Eram fascinantes ao passar as informações sobre os animais da floresta e da selva: seus hábitos alimentares, seu habitat natural, seus instintos... Enquanto dois falavam, um deles confeccionava animais em dobraduras. Perguntei quem o ensinou e ele disse:

- Tudo o que sei fora da escola, assim como isso que estou de fazer pra ajudar o meu grupo, aprendo na internet!

Durante a nossa conversa, ele faz duas aranhas, um jacaré e um pássaro do Pantanal do Mato Grosso do Sul/BR. Dos animais que ela havia feito, tinha um elefante maravilhoso. Então perguntei se ele sabia fazer tsuru e ele pergunto:

- O que é isso?

Eu falei sobre a lenda do tsuru, de onde surgiu a arte de dobrar papel - Origami e os três meninos pararam para ouvir. Quando falei sobre os efeitos dessa arte na organização cerebral de quem a pratica, ele quiseram saber mais, foi quando falei sobre a plasticidade cerebral, seus efeitos benéficos no processo de memorização, coordenação motora fina e ampla, orientação lógica espacial, etc. Os meninos me deram de presente um jacaré. Foi formidável tudo o que conversamos.

Passei em todas as mesas e conversei sobre tudo o que esta exposto. Até convidei as meninas e a professora delas para estarem expondo a mesas da culinária africana no eventos do Grupo Boca de Leão nos dias 29 e 30 de outubro, na Biblioteca Pública de Santa Catarina. A professora ficou interessada, as alunas deram pulos de alegria e prometeram estar socializando a apetitosa mesa conosco.

 Não registrei tudo em fotos porque o colégio estava tão cheio, com pessoas esbarrando-se umas nas outras que ficou difícil. E também pelo meu deslumbre em estar conversando com os alunos e dando um pouquinho da minha contribuição. 

Então tudo ficou fotografado no meu coração ao ver alunos, pais e professores concentrados nas exposições e por ultimo na minha narração.

Hoje só apareceram dois animais que fora rejeitados pela velha Baratinha: um cachorro grandalhão todo de branco e atencioso, que ao ver o seu pedido canino rejeitado, correu para o mato. Depois dele veio o Senhor Gato já um tanto arisco a miar quase sem parar, mas também recebeu um "NÃO" assim bem grandão. É que D. Baratinha sempre encontra um defeito nos pretendentes...

Ao final chegou o Senhor Ratão, o João metendo o focinho na porta do cofre da sua pretendente... Ganhou a confiança da D. Baratinha, falou, falou, depois foi até a cozinha organizar a comilança... E quando apareceu, surpreendeu a plateia - ele estava horrível de tão queimado, pobre Ratão!

A D. Baratinha está sendo chamada para narrar a sua história em muitos lugares, mas alcançar o seu objetivo está um tanto difícil. Ela é muito exigente!

Quem quer casar com a D. Baratinha
Que tem fita no cabelo
E dinheiro na caixinha....

(Claudete T. da Mata)