sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

SAUDADES DOS TEMPOS QUE NÃO VOLTAM MAIS

(Me imaginando, postei esta ilustração em barro, que fiz olhando uma foto do nascimento de minha filha. Este bebê esteve em duas exposições na Biblioteca Pública de Santa Catarina, em Florianópolis (2012 e 2013), encantando e surpreendendo crianças, adolescentes e adultos.)
 SAUDADES DA MINHA INFÂNCIA!
Sinto saudade da minha infância ao lembrar de fatos impossíveis que ficou na lembrança de uma menina de 1 ano e 8 meses.
Esta é a única foto que tenho da minha meninice. Ela foi tirada no quintal da primeira casa em que morei, por um fotógrafo "lambe-lambe",
quando vi a minha primeira irmão nascer.
Como eu gostaria de voltar a ser criança para não ter muitas ideias e fazer poucas besteiras.
Poder amar todas as pessoas sem desconfiar dos afetos recebidos,
muito menos das palavras ouvidas.
Poder brincar na chuva,
não xingar os dias nublados,
deitar em qualquer lugar para olhar as nuvens a desenhar todas as formas para mim.
Poder beijar o meu cachorro de estimação na boca, sem sentir nojo dele,
ser abraçada por um gato sem sentir medo das suas unhadas,
fazer xixi na cama sem esconder de ninguém,
escrever os meus rabiscos sem medo de errar,
beijar no bico de um passarinho sem o assustar...
Poder cantar no meio de uma multidão sem ser chamada de louca,
conversar dentro do ônibus em voz alta sem ser olhada com espanto,
dançar no meio de qualquer lugar e ser vista naturalmente,
não obedecer as regras dos adultos e ser aceita por eles,
não ganhar tapas de ninguém por fazer o que gosto,
somente ser chamada à atenção por meio de uma voz doce...
Poder comer todas as besteiras sem ter medo estragar os dentes,
me rolar morro abaixo sem sentir labirintite,
voltar a pular cordas sem sentir dores nas juntas,
trepar nas árvores sem me dar conta do perigo,
ralar os joelhos e receber mertiolate sem vergonha de chorar,
sentir vontade de vomitar e poder retirar de dentro do meu corpo tudo o que me faz mal...
Poder xingar alguém atrás da porta assim como eu fazia com a minha mãe,
ser xingada e depois conseguir abraçar o xingador,
fazer o que penso sem pensar nas consequências,
correr atrás dos meus sonhos e entrar dentro deles sem ser impedida...
Poder realizar todos os meus sonhos e contar aos meus amigos invisíveis em voz alta,
conversar com todos os seres e entender a linguagem deles...
subir,
cair,
e voltar a subir até chegar ao topo desejado,
sem jamais desistir do objeto de desejo.
Enfim,
poder ser feliz
para chorar,
fazer xixi na cama e não ter vergonha de gritar:
- Manhêêêê...
Poder sorrir,
chorar e gritar quantas vezes for preciso!
Direitos autorais de Claude T. da Mata.
Bruxa Claudete T. Da Mata