quinta-feira, 28 de maio de 2015

Dia 16 de Maio, filhos levam suas Mães ao Cinema do CIC!

Projeto: Levando minha Mãe ao Teatro, da Fundação Catarinense de Cultura - FCC, levou a Academia Brasileira de Contadores de Histórias (ABCH) ao Cinema do Centro Integrado de Cultura - CIC, que levou às famílias a magia da arte da oralidade, contos e histórias de vários cantos do mundo - Mundo de dentro, mundo de fora, mundo de todos as parte do coração levados às Almas das Mães presentes neste dia com seus filhos, marido, suas mães que ainda vivem e amigos.

Foi apresentado dois momentos de histórias narradas, cantadas e retratadas.
Cristina Lopes entrou cantando:
Canção Amiga
Milton Nascimento
Carlos Drummont de Andrade


Eu preparo uma canção

em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.
Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.
Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.
Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.
Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.
Cristina Lopes, nossa Vice-Presidente, entra com as demais Acadêmicas da Academia Brasileira de Contadores de Histórias - ABCH, a cantar a música criada em Grupo na Oficina Literária Boca de Leão, no dia anterior, que diz:

Vem as Crianças e as Mães

Vem as crianças
E as Mães,
Os Acadêmicos pra cá contar
As histórias e os contos
Pra este Dia celebrar...


Sejam Bem-vindos,

Tindo le lê... (Bis)
Sejam Bem-vindos
Tindo la lá... (Bis)
Em seguida, Cristina abriu a narração das Histórias, com o conto de domínio público: O Pescador.
Nesse dia, os contos populares e os autorais, até as cantigas de domínio público, aquelas que contemplam a tradição oral voltada a todos os públicos, visitaram as nossas memórias.  Algo interessante aconteceu. No seu estilo próprio, Cristina iniciou com uma cantoria usada pelos manezinhos da Ilha de Santa Catarina: aqueles que lá nasceram, foram educados, cresceram, casaram, tiveram seus filhos e os criaram, envelheceram, onde jamais desejam sair... entre um momento e outro (da performance) a contadora fez pequenas perguntas, como:

- Vamos ouvir histórias?

Todos responderam:

- Siiiiiiiiimmmm...

- Quem gosta de ouvir histórias de pescar?

Alguns responderam com um SIM e uma criança na plateia, disse:

- Eu não gosto!!

Foi uma resposta interessante a mostrar a sinceridade das crianças. Entretanto, o melhor é que não se faça perguntas ao público... Nem antes de iniciar e nem durante a narração da história. Este é um procedimento que pode provocar a quebra do imaginário. Tal como vamos ao teatro assistir uma peça, vamos aos locais de Rodas de Histórias para ouvir, ver, imaginar e nos encantar. Qualquer quebra, rompe a fruição das ideias e suas interpretações. Mesmo quando se tem domínio de palco, o melhor é entrar no universo da história, brincar com os seus elementos, com as palavras, dar enfase aos fatos que podem provocar a curiosidade, risos, gargalhadas, lágrimas (por que não?) até a catarse. Por isto, qualquer parada para perguntas dirigidas à plateia, cientes de que tudo pode surgir num momento destes, o melhor é tocar os fatos, saber passear pelo roteiro, retratar as personagens e suas emoções... dar vida à Vida do enredo e sair com sapiência e consciência do corpo inteiro.

Mas a nossa Vice-Presidente, com sua experiência, narrou O Pescador e todos gostaram. Até aquele menino do NÃO, entrou no universo do pescador. Vi os seus olhinhos esbugalhados ao ouvir o rei, o pescador e a mulher do pescador.
 
Oriento o Grupo Boca de Leão, que está na Academia e dedicado ao processo de formação continuada há 3 anos, que, assim como em uma apresentação teatral, onde os atores entram direto na cena, o contador de histórias, se foi anunciada a programação antes de sua entrada, ao subir ao palco, entra no universo imaginário e permanece nele até a sua saída. E, se tem que anunciar o próximo contador, por meio de uma cantoria, fique atento à sua saída de cena ao dar lugar ao próximo narrador. Esta passagem de um contador ao outro faz parte do espetáculo, entretanto, quando não há concentração por parte do contador, a quebra da cena arranca o público do encantamento, da espera pela próxima emoção...
Quem entra em cena, precisa estar dentro da cena, sem preocupações em cumprimentar a plateia, informar o nome... Tudo isto pode ficar para o fechamento da Roda.
(Aparecida Facioli: As Caveirinhas. Conto de sua própria autoria.)
Narrar com boneco exige apropriação de técnicas especiais e disciplina por parte do contador bonequeiro. Todos os cuidados, SEMPRE!

O cuidado começa pela entrada e vai até a ponta dos dedões dos pés. O contador atento, faz da sua narração um Momento Único na leitura da plateia, sem preocupações desnecessárias.
 Sabedora da existência de atitudes contrárias às minhas orientações, digo: O Contador de Histórias precisa ouvir a si, antes de ficar a se preocupar com a plateia. O ideal é que, ao entrar em cena, com o seu narrador a falar, o contador não olhe à plateia, caso não consiga suportar os olhares e se deixe levar por eles. Esta é uma postura de quem trabalha a consciência do corpo inteiro ao saber o que escolheu e foi escolhido para contar. A contadora e professora de origami, Albertina Fonseca retrata muito bem a sua escolha, já ao entrar em cena. 
Albertina possui um rito que deixa seu corpo e seu coração livres para a hora da Sadako, de seus amigos e do pássaro Tsuru. Ela é o tipo de narradora que, caso ainda não domine a narrativa a ser trabalhada, ela não entra em cena. Esta Leoa iniciou sua participação no processo de formação continuada para contadores de histórias e de escritores e não deixa de estar sempre presente na Biblioteca Pública de Santa Catarina (SC), para o refinamento e os exercício dos momentos do processo criativo. Ela não perde um ensaio, um momento sequer. Possui o espírito de buscas, do saber, do querer ser e do fazer consciente.
 
 De fato, o contador de histórias, assim como todos os artistas da palavra que sabem o que escolheu e porque foi escolhido, consegue seguir o roteiro de organização das apresentações, estar atento aos movimentos e aos acontecimentos inusitados, sem se deixar afetar por aqueles casos inusitados. É um colaborador do universo imaginário, sempre atento, aberto e, independente do local, dia e hora ele está à disposição porque sabe que é um viajante.
 Mariani Aparecida da Cunha, é uma das nossas contadoras e Acadêmicas que, também, não mede esforços quando decide entrar em cena. Ela narrou um mini contos de sua autoria: "A Rosa", um conto pequenino que virou um gigante.
 Tem narradores orais que não sabem da própria potência ao retratar o imaginário.
 Quando as histórias chamam, o público sai de sua cadeira.
 A disciplina do narrador é fundamental na chamada de atenção do público. Caso contrário, a Roda sofre uma quebra na leitura do ouvinte. Em especial, quando temos à nossa frente uma plateia heterogênea, com pais do terceiro milênio, pessoas do primeiro milênio e público do milênio que se anuncia a partir das novas formas de ler, ouvir e escrever o real e o imaginário. Então, precisamos estar sempre atentos às nossas posturas, quando temos à nossa frente aquele que está passando por um momento inusitado e foi até nós para distrair-se um pouco. É preciso pensar no todo sem esquecer de suas partes.
 Temos três meninos na foto acima. O menino do meio, mostrou-se sem limites ao circular do começo ao final deste segundo momento da Roda, ele puxou a saia da contadora Andrea Dias (fotos serão postadas posteriormente) e fez tudo o que o público de sua idade, até então, não havíamos visto antes. Confesso: "na hora da minha narração, senti vontade de solicitar aos pais que o colocasse sentado, mas não fiz. Prossegui até o final sem quebrar os momentos do "Menino que tinha rabo", tl como faz a contadora Andrea Dias com o conto de sua autoria: "Animais em Revolta". Confesso que procurei me manter do início ao final do conto dentro do seu universo, mesmo passando ideias contrárias durante o tempo em que acabei incluindo o citado menino no universo do conto. Ao final, fui para casa a privaricar contra o menino. Dias depois, retornei ao CIC em busca de determinada providência, foi quando, ao conversar com uma das responsáveis no dia 16 de maio, que presenciou o comportamento do menino, fiquei sabendo que a família (na mesma semana do evento, perderam o filho mais novo, um bebê com mais de 5 meses. Isso deve ter afetado até o menino.  
(Luiza Dias, nossa Acadêmica adolescente, narrou dois contos de sua autoria: "A Pata Felícia e a Libélula Encantada". Ao seu lado está sua mãe Andrea Dias, sua grande inspiradora e incentivadora Saia cheia de elementos do incrível mundo imaginário.)

No dia 16, quem esteve presente riu, pensou que os pais poderiam ter colocado o menino sentado... Todos sem saber o que havia acontecido. Até eu errei  com os meus pensamentos. Penso parecido com o Patrono da nossa Academia: Franklin Joaquim Cascaes - "São os pensamentos insanos dos homens!"

Depois de encerrado o evento, registramos este momento, com todos de malas prontas para viajar por outros cantos do mundo.

Foi assim essa tarde de 16 de maio de 2015, no Cinema do Centro Integrado de Cultura (CIC), já inaugurando a "Roda de Histórias no Cinema do CIC", uma parceria com a Fundação Catarinense de Cultura (FCC), no atendimento ao Convite da Presidente da FCC, parra narração de histórias no projeto da FCC: "Levando minha Mãe ao Teatro", a partir do DIA 4 DE JULHO/2015, A NOSSA ACADEMIA VAI ESTAR TODO PRIMEIRO DE CADA MÊS, COM A RODA DE HISTÓRIAS DA ABCH NO CIC.
Da esquerda à direita: Andrea da Costa Dias com sua grande mala mágica, narrou "Animais em Revolta (de sua autoria); Tânia Meyer com sua cartola vermelha, narrou uma brincadeira de roda cantada ao som de seu violão e sua voz afinada. Tânia é Presidente Executiva da ABCH e também, narrou um conto cantado, de sua autoria: "Cacareco"; Idê Bitencourt com seu jeito elegante ser ser, narrou dois contos de sua autoria: "Chiquita" e "O Peregrino", Aparecida Facioli com seu jeitão especial, narrou dois contos de suas autoria: "As Caveirinhas" e "Zizinha", Saray Martins com sua elegância, narrou um conto de domínio público: "A Lagarta", Albertina Saudade Fonseca, lá do outro lado do mundo (no Japão), nossa portuguesa de Angola narrou uma história da história: " A Lenda dos Mil Tsurus" mostrando uma trajetória de vida muito especia de uma menina chamada "Sadako", Mariani Aparecida da Cunha, conhecida por Mary Anne, com o seu elegante par de muletas, narrou um conto pequenino que cresceu em cena e encantou a todos os presentes, Ao lado de Mary está Eu (Claudete T. da Mata - narrando o conto de outra autoria:
 ) Gostei de pousar para este retrato com mala da nossa Vice-Presidente Cristina Lopes, que narrou o conto de domínio público: "O Pescador", ao lado da nossa menina contadora Luiza Abnara Dias, que narrou dois contos de sua autoria: "A Pata Felícia" e "A Libélula Encantada". 

Foi lindo de ver, ouvir, imaginar, sentir cheiro de rosas,  ver o menino de rabo caminhando na frente do palco, sentir nojo das fraldas do menino ao imaginar o que ele sempre fazia lá sua sua primeira infância, o mesmo feito por todos nós, ver borboletas, uma cobra sorrateira, um bem-te-vi, caveiras de bermudas, adulto voltando a ser criança... e levar para outros cantos do mundo o que as contadoras da ABCH levaram ao Cinema do CIC, arrancando a arte de brincar com todos os verbos metamorfoseantes no incrível mundo das palavras contadas, cantadas, com cheiro, em movimento permitindo-se ser tocadas... 

Claudete T. da Mata
Presidente de Honra da ABCH