domingo, 28 de junho de 2015

23 de junho de 2015 - Processo de Criação Literária: Um exercício como complemento de inspiração!

"Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar." (Esopo)


MOMENTO DE CRIAÇÃO COM ELEMENTOS INSPIRADORES
Ao chegar, o grupo já estava reunido a assistir um filme baseado numa das fábula de Esopo - filmagem animada com origamis criados pela Leoa Albertina Saudade Fonseca, grande colabora do grupo que neste dia nos brindou com a sua arte magistral.
Cenas do vídeo - impressionam e fazem ver a arte em movimentos. Esta foi uma tarde em que todos sentiram a necessidade de repetir um vídeo mais de duas vezes para apreciar uma obrar em que a autor desperta o interesse do leitor pelo texto em imagens.
Após o momento de observação de todas as cenas, o grupo foi orientado sobre os procedimentos da arte de exercitar o processo criativo literário, tendo neste encontro como objetos de inspiração: Vídeo com formas animadas em origami.

Os integrantes da Oficina Literária Boca de Leão passam por este exercício de Criação Literária por meio de elementos inspiradores, para o refinamento do processo de criativo onde possam vencer os seus obstáculos certos da companhia do outro no momento de estruturação da criação. Ao ver o resultado desta nova etapa vivida em grupo, em que agora todos os Leões Veteranos conseguem escrever com consciência, digo ser este um espaço para se aprender a aprender como ser de fato um Escritor Moderno e ao mesmo tempo Contemporâneo, continuarei levando ao grupo elementos capazes de fornecer complementos de formação em Literatura, mesmo não estando dentro do universo da academia universitária.

Assim estarei levando a todos os interessados em Literatura e ser um Escritor Atualizado, independente de onde vem, qual a sua área de estudo e formação, leigos ávidos de desejo de saber e de ser escritor ou contador de histórias, todos os interessados: as nossas portas sempre vão estar abertas para quem desejar entrar e viver com a nossa Matilha todos as fases em grupo. 

A par de uma vertente centrada no estudo e pesquisa de autores da contemporaneidade e outros que estejam dentro das nossas leituras, este Oficina possui uma vertente temática baseada no conceito de “criação literária consciente”, um assunto a ser visto cotidianamente, pelos seus integrantes, por ser um dos mais transversais a todas as áreas do saber e às condições de aprendizagem de cada um.

O Processo de Criação, por si é gerador de um cruzamento pluridisciplinar que possibilita a confluência de várias linguagens a serem estudadas, para desenvolver intersecções, articulações e sínteses de assuntos globais entre várias conteúdos. Este sempre será o centro de aglutinação do saber capaz de aproximar a literatura de outras artes, por que não, também, de outras ciências, fomentando-se uma contaminação mútua com a intensão de impulsionar a estética da fala falada e da fala escrita moderna e contemporânea onde todos tenham a consciência do importante momento de ruminar o verbo ou fazer como as lavadeiras de Alagoas ao torcer cada escritura, até que todas as vírgulas se encaixem. 

Minha justifica se fundamenta pela preocupação de oferecer um leque de conhecimentos significativos de elementos e seus momentos sem a pretensão de impor o meu estilo criativo, mas sim de estar refinando os diferentes estilo, dando a cada integrante as optativas de várias leituras e formas de trabalhar e exteriorizar a sua imaginação do jeito que lhe agrada fazer. Proporciono ao grupo uma estratégia de abordagem atenta à heterogeneidade, interatividade e a oportunidade de experimentar a própria capacidade de fazer e Ser com sapiência consciente, substratos que marcam os processos criativos na contemporaneidade e que dão aos integrante as condições de serem escritores modernizadores. De que adianta ser um criador moderno sem condições de troca e busca do saber, ao agir como as hienas que matam as suas presas além da necessidade?

 O gênero humano não é a casa onde não nasceu...
Não retrata as influências que não viveu,
Não brinca com os brinquedos não brincados,
Não é a casa ou o apartamento que não o ensinou a andar,
Não traz consigo a escola que não lhe ensinou o BEABÁ
É a educação que recebeu mesmo quando contrariado.
Se cresceu de corpo já não é mais criança,
Precisa pensar como gente grande.
É aquilo que deseja viver, mas nem sempre sabe.  
(Claudete T. da Mata)
 E o grupo se pôs a trabalhar. Aldo Rudy (atrás da Albertina, à esquerda) ficou um tanto desconfortável e falou sobre sua dificuldade de colocar as suas ideias no papel da forma que fazemos. Maximiliano (atrás de Aparecida, à direita) ficou observando os colegas enquanto exercitava a escrita com objetos inspiradores.
Enquanto todos o grupo estava concentrado na tarefa literária, o vídeo foi congelado.
Cena de um corvo que voa com um ovo na boca. No caminho ele encontra uma raposa que parece lhe dizer: "O galo tem um canto bonito." O corvo, ao cantar para se mostrar, deixa o ovo cair direto na boca da esperta raposa. Ao encerrar o momento de criação, Albertina revelou a todos sobre a fonte de inspiração do vídeo: "A raposa e as uvas". Ela falou um pouco sobre a fábula de Esopo, o fabulista grego, nascido na Trácia, na região da Ásia Menor (século VI a.C). Personagem de caráter e postura mítica, dizem os historiadores que Esopo foi um escravo libertado pelo seu último senhor: o filósofo Janto, também conhecido por Xanto. Ele foi considerado o grande representante do estilo literário "Fábulas". Por possuir a capacidade da palavra e a habilidade de contar histórias curtas que retratavam os animais e a natureza, sempre com finais acompanhados de tiradas morais, as suas criações literárias da categoria fábulas inspiraram Jean de La Fontaine, o francês nascido em 1621, filho de inspetor de águas e florestas, que estudou teologia e direito (Paris), sendo que seu interesse maior sempre foi pela literatura. Ao conhecer as escrituras de Esopo, La Fontaine foi o primeiro a reconhecer o talento do escravo que sabia ler e escrever. Suas fábulas foram objeto de milhares de citações através da história, por exemplo, por Heródoto, Aristófanes, Platão, além de diversos filósofos e autores gregos.
Wikimedia CommonsAs primeiras versões das fábulas de Esopo, são do séc. III d. C. Pouco sabemos sobre de muitas das suas obras e seus contos, alé de saber que os animais, além de falar, também tinham características humanasElas foram traduzidas para vários idiomas. Portanto não existe uma só versão que se possa afirmar ser a mais próxima da original. 
Além de La Fontaine (foto ao lado), destaca-se, entre outros estudiosos das obras esopianas, como: Émile Chambry, outro conhecedor da língua e da cultura gregas. Segundo pesquisas, em 1925 um escritor Chambry publicou, Aesopi - Fabulae (Fábulas de Esopo), contendo 358 fábulas atribuídas ao grande mestre das fábulas.
A Raposa e as Uvas é um exemplo das mais conhecidas entre as centenas de fábulas que Esopo deixou sair das suas vivências ruminadas nos fios da sua memória.
Sempre tive, como ainda tenho, o cuidado de levar outras falas além da minha, ao grupo, para que todos possam ter acesso a outras visões e seus teóricos, outros pensamentos, outros caminhos. Em maio conseguimos conhecer um pouco de Clarice Lispector. Ouvimos da própria Lispector um pouco sobre a sua trajetória no universo literário após ler e ter dois momentos de análise do seu texto "A Galinha". Em junho o grupo assistiu um vídeo com Ana Maria Machado, sobre a sua trajetória literária - que resultou num momento de discussão e muitos questionamentos. Em julho vamos assistir o vídeo de Lispector e ver como vai ser a recepção do grande grupo ao ouvir da própria autora sobre o seu processo de criação literária.

Teóricos contemporâneos têm discutido sobre a complexidade do tema que estamos trabalhando há quase três anos na OLBL: Processo de criação. Na Oficina Literária Boca de Leão, a cada encontro nos reunimos com as nossas ideias cheias de conteúdos que sempre nos levam à discussão sobre este processo na produção literária. São encontros acompanhados de objetos que inspiram a imaginação e aguçam a capacidade de criação em constante reflexão para quem deseja levar aos leitores uma escrita de qualidade.

Descobrir a natureza do processo criativo no universo literária, ir em busca daquilo que o movimenta e lhe oferece sustentação contínua, conhecer as razões que move o processo criativo, em grupo, tem sido fonte de muitas indagação que nem todos ainda conseguiram alcançar além dos frequentes questionamentos interiorizados que estimulam uma curiosidade e uma inquietação sempre que paramos para ler o que conseguimos fazer. 

A necessidade de justificativas de alguns, sobre as suas preferências de lugar confortável onde o imaginário possa fluir melhor, poder trabalhar o imaginário sem a preocupação com o tempo, estar num ambiente sem o olhar do outro, estar livre para proceder do seu jeito para que faça um bom texto... são momentos que surgem como se cada um tivesse que justificar-se sempre que alguém faz um questionamento ao não concordar com o que o outro fez, provocando um certo desconforto em alguns integrantes. É quando entro na discussão e faço alguns apontamentos necessários ao processo de revisão em grupo, sem contrapor com as preferências deste ou daquele, diante dos questionamentos envolvendo a criação do outro. Então preciso falar sobre o processo de criação literária como escritora e ao mesmo tempo como observadora e orientadora. De qualquer forma, prefiro limitar-me a cada oportunidade que surge e exige a minha fala para uma trocar de ideias com o grupo. Entretanto, temos integrantes que, numa explosão de olhares, entram com as suas ideias sobre como fazer para que a criação literária do outro seja da forma como é vista dentro do seu modo de ver o processo de constituição literária e sua estruturação.


Neste jogo onde muitas falam aparecem ao mesmo tempo, ao mostrar o seu ponto de vista, o interlocutor acaba anulando o olhar do outro a título de uma intervenção que convença a todos, e o desconforto se instala. Então chamo a atenção do grupo e retorno às devidas orientações, sem pretensões de dar a esta ou àquela exposição um encaminhamento geral ou genérico. Sabedora do estilo e a forma de colocação verbal de cada integrante, procuro clarear as ideias individual. Penso, como sempre venho fazendo, que para compartilhar experiências e contribuir com o aprendizado do outro, há de se pensar sobre como levar ao outro as nossas ideias e convicções. Tudo o que levo ao grupo, sempre conto com os fundamentos teóricos que justifiquem a minha interferência, tudo sem a intenção de desqualificar as exposições individuais. Então sim, podemos participar do momento de análise do processo criativo da literatura do outro, também, com a mesma possibilidade do outro fazer o mesmo conosco.

Neste dia tivemos mais um momento de colaboração e socialização de conhecimentos da nossa Leoa Albertina Saudade Fonseca. Ela nos brindou com um dos seus filmes de animação de uma fábula de Isopo, um encanto que atiçou o imaginário de todos.

Após uma série de assuntos discutidos, sugestões a apreciações, o grupo concluiu a tarefa e iniaram a leitura mostrando o que saiu de cada imaginação pós vídeo.
Idê Bitencourt escreveu um lampejo que vejo dentro da categoria romance - pela estruturação e os seguimentos textuais que poderão ser levados adiante e fazer nascer um belo romance, no futuro próximo. Esta escritora, além de começar a nos surpreender com as suas criações de contos, nos encanta com as suas poesias. Ela é uma poetiza que virou contista ao entrar para a nossa matilha.
Aparecida Facioli, uma leoa que está a cada encontro a nos surpreender. Ela tem exercitado a capacidade estruturação da categoria conto, e não é que tem crescido muito? Hoje ela foi aplaudida pela formidável criação. O vídeo e as orientações serviram para coordenador o seu processo de criação dentro da proposta da oficina. 
 Entre uma leitura e outra, sempre há necessidade de uma parada para reflexão e tirar dúvidas, clarear as ideias...
Saray Martins, com seu jeito arrojado de soltar as palavras, necessita controlar a sua impulsividade nestes momentos, para não assustar o outro. É quando entro para organizar as falas do grupo ao darem as suas opinião sobre criação do outro. Assim, mostro o quanto ainda precisamos buscar dentro de nós a coerência do pensar e o saber da escuta em respeito ao outro. Esta Leoa possui um jardim interior muito rico em conteúdo, entretanto, necessita passar com mais suavidade o seu saber. Assim vai estar, como sempre esteve, a colaborar mais ainda com o crescimento do grupo. 
Com o grupo aprendi muito, como ainda continua a aprender. Todos precisam estar certos do que procuram na OLBL e o desejam fazer. Entretanto, no papel de aprendizes, é preciso educar a fala, a capacidade de ouvir e aprender a escutar o outro, certos de que o coordenador do processo está atento (sem a pretensão de impor ideias), por isso faz as intervenções necessária ao clareamento do raciocínio e das necessidades, possibilidades e limites de cada integrante com o seu processo criativo e suas escrituras. Algo a ser cuidado em grupo para que não se confundam os papeis, para que juntos possamos saber como chegar um ao outro. Para tanto, é preciso saber fazer uso do pensamento de Sócrates: Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses. 

Natália fez três leituras: três contos surpreendentes para quem entrou na nossa Matilha, em março de 2015, acanhada e com a humildade de quem tem os devidos cuidados no seu fazer, independente do que tem a fazer. Natália é advogada e tem se revelado uma escritora que promete levar aos seus leitores uma escritura de qualidade e intensões bem elaboradas nas suas entrelinhas. Seu processo vem sendo estruturado pela sua sensibilidade e desejo de busca do saber escrever com o coração cheio de encantos do imaginário de quem vem de uma área onde o conhecimento exigido pode engessar o processo imaginário criativo. Mes esta leoa sabe como fazer sem deixar de ser a profissional fora da nossa matilha.
Uma parada para registrar o prazer de escrever e desenhar o imaginário com o apoio do objeto de inspiração emprestado por Albertina Saudade Fonseca. 

Tudo o que vejo aprendo com eles, sinto vontade de falar. Está faltando Evandro (por ora fechado na sua casa na conclusão de sua dissertação de mestrado), Luciane (não tem conseguido chegar no horário), Gabriel (sua mãe quebrou o fêmur, por isto não tem frequentado o grupo), Andrea e Luiza (mãe e filha estão estudando, com aulas todos os dias, por morar em outro município distante não conseguem estar em todos os encontros) Mariani (não conseguiu estar presente neste encontro por motivo de saúde do pai), Agustina (faltou por motivo pessoal), Beatriz (não tem conseguido sair antes das 19h de trabalho), Natália Rigo (não tem comparecido por motivo de trabalho na universidade - o dia é incompatível com a disponibilidade dela). Amo a nossa Matilha!
Albertina ganhou um tempo para ensaiar e mostrar a sua nova arte: Mediadora do livro e da leitura animada com origami. 

Estou a me vigiar para não deixar o grupo cair na zona de conforto da leitura mediada. Caso contrário, até eu caio. se isto acontecer, a arte de contar histórias acaba ficando de lado. Todos precisam aprender a ser um e outro narrador: Contador de histórias e mediador da leitura animada.

Ler um pouco sobre os grandes pensadores e o que eles deixaram à humanidade e seu desenvolvimento, também faz bem e contribui com o nosso crescimento e as nossas manifestações em grupo. Quando não sabemos ouvir, ler é uma forma de aprender no nosso cantinho particular.

Claudete T. da Mata

Indicação de leitura para entender melhor a si e os outros, antes de soltarmos o verbo e deixar o corpo falar desenfreadamente ao nos retratar em público, também, ao nos recolher para criar as nossas obras: KLEIN, Melanie. O Sentimento de Solidão. RJ., Imago, 1975.

COMENTÁRIO:

Albertina Fonseca

1 dia atrás  -  Compartilhada publicamente
Claudete mais uma vez o ensino acima de tudo nas tuas palavras escritas. Foi um dia muito proveitoso este e o que mais me surpreendeu foi a criação depois da visualização do filme. Mostra que todos têm muito dentro de si para dar. Bjs