segunda-feira, 4 de abril de 2016

29.03.2016 - ABERTURA DO ANO LETIVO DA OFICINA LITERÁRIA BOCA DE LEÃO

ACADEMIA BRASILEIRA DE CONTADORES DE HISTÓRIAS (ABCH-MATRIZ)




OFICINA LITERÁRIA BOCA DE LEÃO (OLBL)

Coordenação: Claudete Terezinha da Mata e Evandro Jair Duarte
Supervisão: Evandro Jair Duarte (BPSC)
 Arte: Lucas Prisco Puga (2016)

No dia 29 de março de 2016, o Projeto da Biblioteca Pública de Santa Catarina (BPSC) intitulado “Oficina Literária Boca de Leão” (OLBL) foi apresentado aos participantes no o primeiro encontro, com início às 19h no auditório da Biblioteca. Os coordenadores Evandro Jair Duarte e Claudete apresentaram o projeto aos 23 presentes dos 35 inscritos.

A Oficina Literária Boca de Leão (OLBL) foi criada em 24 de julho de 2012 por Claudete Terezinha da Mata e teve o apoio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).  Esta foi uma ação voltada ao público em geral, ou seja, para todos aqueles que desejam escrever textos criativos e literários. Como propósito a OLBL visou, ao final do curso, promover a elaboração de uma coletânea literária para socializar o conhecimento produzido na oficina; teve a iniciativa de trabalhar a literatura para incentivar os primeiros passos na arte de escrever e para que não se percam os talentos revelados. Foi um laboratório em que todos aprendiam e ensinavam na construção do conhecimento, de modo colaborativo também. Os participantes puderam ter quatro horas/aula mensais para ler e produzir contos. Os objetivos foram: desenvolver a criatividade, utilizando recursos próprios de textos poéticos; despertar o gosto pelos contos e demais textos literários; explorar as infinitas possibilidades sugeridas pelas palavras lidas e ouvidas, para o desenvolvimento da sensibilidade estética e desenvolver a habilidade de interpretar textos literários, que organizados terão por culminância, um espaço para Recital Literário. Os encontros foram quinzenais, a partir do dia 24 de julho, às terças-feiras, das 19h às 21h, no auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina (BPSC). Muitas histórias foram criadas e contadas em sessão de “contação de histórias” da Biblioteca, em visitas guiadas e datas comemorativas; assim como, em escolas próximas. O projeto foi reapresentado à BPSC e à FCC para receber a aprovação de sua continuidade a partir de 2016, como “Atividade Permanente” da BPSC. Sendo coordenada e avaliada por funcionários da BPSC e FCC (se necessário). Os ministrantes podem ser convidados pela instituição (FCC), mas a coordenação passa a ser de responsabilidade da BPSC, que irá inserir em seu quadro de funções esta ação. Trata-se de uma ação que visa integrar a comunidade com a BPSC para promover o gosto pela escrita e pela leitura, tendo em vista que para escrever é preciso ler. Assim, a OLBL propõe ser uma atividade aberta ao público da comunidade na qual a BPSC está inserida. Para tanto, será necessária a inscrição no projeto, visto que para se ter qualidade é preciso ter um número que a coordenação possa controlar os processos criativos. Os encontros serão dois a cada mês, sendo reuniões quinzenais no auditório da BPSC, nas terças-feiras das 19h às 21h; um dos encontros será especialmente para que, em datas previamente marcadas, aconteça a participação de autores e booktubers (parceiros promotores do livro e da leitura), com o objetivo de realizar conversas com os participantes e incentivá-los a ler e escrever. Para os encontros será necessária a disponibilidade de um Datashow, com caixa de som, para possibilitar a reprodução de slides e vídeos.
A contrapartida da OLBL para a BPSC é a produção de um único conto com cessão de direitos autorais para a FCC, assim poderá ser solicitado à Biblioteca Nacional a publicação de um e-book com o material resultante da OLBL. Dessa feita, teremos uma construção conjunta de um livro digital a ser colocado em espaço aberto para download gratuito. O site da BPSC poderá hospedar o link do e-book. Apresentada a proposta e aceita pela Presidência da FCC e Administração da BPSC.
Apresentado o projeto à Administradora da BPSC, Patrícia Karla Firmino, e na sequência, para a Presidente da FCC, Maria Teresinha Debatin, ele foi aprovado e os coordenadores solicitaram à Assessoria de Comunicação que fizessem a divulgação da OLBL no site e nas agendas de ação cultural promovidas pela FCC. Assim, no dia 7 de Março iniciaram as inscrições e encerraram em 18 de Março de 2016. Neste curto espaço de tempo de 11 dias as vagas foram preenchidas e a coordenação resolveu expandir as 20 vagas iniciais para 35 vagas, devido à procura.
Foto: Claudete T. da Mata

Claudete fez sua apresentação pessoal e mencionou como a ideia da criação da oficina surgiu, fez um resumo da participação dos primeiros integrantes e das produções realizadas na OLBL e da doação de seu projeto pessoal para a BPSC, para que a coordenação e execução seja desenvolvida por um dos funcionários da casa e equipe.
Albertina Saudade Fonseca é uma das participantes do primeiro formato da OLBL e recebeu a fala para socializar com os novos inscritos de sua experiência, que na oportunidade leu um conto de sua autoria. Conto este iniciado nos encontros, passando a ser trabalhado para lapidar em casa.
Evandro mencionou sua participação e envolvimento com a OLBL desde a sua criação e primeiros encontros, que agora passa a ser um dos coordenadores.
Feitas as apresentações devidas, foi esclarecido que a oficina é gratuita e terá 16 encontros com duração máxima de duas horas, com início às 19h e término às 21h. A proposta da OLBL é a do exercício de escrita criativa e de contos. Para a execução do projeto será necessário ler e explorar autores da literatura catarinense, nacionais e estrangeiros.
Os coordenadores evidenciaram a compilação e criação de um e-book para tornar disponível no site da FCC ou BPSC com download gratuito, um produto final da oficina. Serão colhidos os termos de concessão de direitos autorais para esta permissão, da disponibilização do e-book em espaço aberto a todos aqueles que queiram ler os contos produzidos. Cada participante colabora com a escrita de um único conto para este projeto de e-book, sendo permitido o uso dos contos por seus autores em formação de livros individuais, utilização em blogs, entre outras possibilidades.
Ficou claro de ser o aprendizado coletivo, todos ensinam e todos aprendem, assim ocorrerá estudos sobre escrita e leitura, com uso de textos e a consequente produção textual. Haverá espaços na oficina para leitura de textos e comentários dos participantes sobre estes e divulgação dos livros de cabeceira de cada um. Dos exercícios de escrita decorrerá a socialização para o grande grupo generosamente tecer comentários, apreciações e sugestões.

TEREMOS quatro encontros com escritores catarinenses estão agendados e com um booktubers. Estas participações permitirão a visitação de pessoas de fora da Oficina, como convidados. As Vagas são limitadas. Assim teremos mais 30 Vagas nos dias dos encontros com escritores.
Uma avaliação por parte dos inscritos na oficina acontecerá, para que os coordenadores, assim como a BPSC e FCC possam pensar e repensar a OLBL para as próximas edições. Com a entrega dos contos para a formação do e-book será iniciado o trabalho para este fim e com entrega ao público no dia do encerramento em novembro. Haverá certificação e coquetel para a finalização da oficina.

Abertura da Oficina Literária Boca de Leão
Foto: Albertina Saudade Fonseca.

Dentre os membros participantes temos as seguintes ocupações: estudante, professor, assistente social, advogada, servidora pública, ilustradora, cientista social, secretária, operadora de call center, jornalista, bacharel em letras francês, psicóloga, professora de teatro, tradutora, analista de sistema, cineasta e coordenadora pedagógica. Um grupo heterogêneo e empolgado com a oportunidade de escrever e socializar suas produções.

Questionados sobre quais são os interesses deles, as respostas convergiram em: conhecer o processo de escrita; melhorar a produção textual; dedicação à escrita; aprender e discutir o escrever; novas possibilidades de escrita, ter novas ideias; exercitar a criatividade; trabalhar com a palavra; contribuir com o grupo; trocar ideias; desenvolver habilidades; adquirir conhecimentos; brincar com a palavra; dar asas à imaginação; conhecer pessoas que compartilham do mesmo desejo; discutir e desenvolver sensibilidade e valores estéticos; aprender; estes são alguns fragmentos dentre outras tantas afirmações.
Um relato descrito na ficha de inscrição foi lido na íntegra por chamar a atenção do coordenador e perceber que a pessoa fez o comentário em forma de texto literário. Segue a descrição:

Lembro-me do primeiro livro que li na vida, ainda muito criança. Chamava-se “O cachorrinho samba”, tinha uma capa vermelha e o desenho de um cão branco com manchas marrons. Este foi o início de uma relação de amor com os livros. Aos poucos, minha estante crescia. Cheia de contos de fadas, histórias infantis, livros do Monteiro Lobato. Todo fim de tarde saía de casa e caminhava dez quadras até a banca de revistas, onde dava muito lucro aos donos levando revistas e gibis. Lembro-me então quando pela primeira vez, na quinta série, a professora perguntou para cada aluno o que gostaria de ser quando crescer. Eu respondi que queria ser escritora. E passei a ter a caneta e o papel como grandes companheiros. Gosto mais ainda de mergulhar nos versos de Manuel Bandeira e Cecília Meirelles, meus poetas favoritos. Ainda sou mais movida pela inspiração do que pela técnica".
“Faço versos como quem chora”. Quando cheguei na época do vestibular, optei por um curso que me exigia escrever. Cursei Jornalismo na Universidade Federal do Paraná, e atualmente faço Mestrado em Jornalismo na UFSC. Trabalho com jornalismo televisivo, e já escrevi também matérias para online e impresso. Sou apaixonada por Jornalismo Literário, e procuro sempre utilizar estas técnicas nas minhas matérias. Mas meu sonho de infância ainda persiste. Escrever é vital, atividade que me completa, me emociona. Com a Oficina, desejo mergulhar mais no ramo da Literatura e desenvolver técnicas necessárias para aprender e melhorar minha escrita”.

Ao fim da abertura, Evandro deu a palavra para cada inscrito se apresentar e em seguida foi a vez de Claudete realizar uma atividade com o grupo, ela pegou um elemento inspirador e explicou como iria ocorrer o exercício de escrita que viria na sequência. Assim, ela e passou o objeto para que cada participante pudesse segurar, pensar e buscar a inspiração com o intuito de construir um texto nos minutos finais da Oficina. O objeto foi este da foto.

Objeto inspirador
Foto: Evandro Jair Duarte

Quando o tempo terminou, houve a oportunidade para que duas pessoas de livre e espontânea vontade pudessem ler o texto que surgiu desta inspiração. Foram dois textos diversos e realmente inspiradores; repletos de beleza, sensibilidade e criatividade. O primeiro encontro foi rápido e de apresentações. 
Os participantes receberão e-mail com o texto a ser lido em casa para a discussão no próximo encontro que será dia 19 de abril de 2016.
Foto: Claudete T. da Mata